quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Lourdes dos Bilhetes"

Em minha terra natal, Iguatu, existia uma senhora pobre, negra, que vendia bilhetes da Loteria Estadual do Ceará. O negro aqui não é preconceito, dei ênfase, por ser Lourdes uma negra que não se achava preterida pela sociedade, nem muito menos sua cor para ela importava, era aquela pessoa querida por todos, amava a sí, e todos gostavam dela. Andava perambulando pela cidade a vender bilhetes, aproveitando em cada casa que passava para tomar um cafezinho, levar um papo, levar e trazer as novidades do momento, uma pessoa simples, simpática, de pouca cultura, contudo, tinha a mais bela das virtudes humanas, era extremamente sincera. Se gostasse de alguém, dizia na cara, caso contrário também o fazia, dava notícia boa ou ruim com a mesma serenidade, era por assim dizer, uma pessoa ímpar, singular, notável. Hoje, sonhei com ela, com aquele seu jeitinho simples de ser, e aquela voz alta e gutural, próprio da mesma. Acordei lembrando, já pensou se os políticos de hoje fosse como a Lourdes dos Bilhetes, sinceros com seus eleitores, simples, porém verdadeiros nas suas colocações, visitassem os eleitores 365 dias do ano, fosse ou não eleição, para conversar com o povo, saber suas necessidades, seus sonhos, o que os mesmos queriam para sua cidade, suas vidas. E fiquei meditando, precisamos de uma legião de Lourdes dos Bilhetes, ela é que era uma verdadeira política inata e não se dava conta. Por isso para vereadora, voto na minha querida finada Lourdes. Que sua memória seja louvada.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Cacho

Cacho, palavra comumente usada quando se quer referir a uma quantidade de alguma coisa que se manifestam juntas. Esta palavra foi usada recentemente por uma amiga minha num papo coloquial, onde a mesma, referindo-se a quantidade exorbitante que existia de mulheres na nossa cidade natal, dizia que elas andavam de cacho. Fiquei meditando sobre esta simplória palavra que passou naquele momenta a significar muito nas minhas observações sobre o nosso dia a dia. Observei, contudo, que muitas são as coisas que acontecem de "cacho" na nossa sociedade. A nossa mídia, dando sustentabilidade ao capitalismo selvagem, explora a mulher como objeto, em "cacho". Os políticos prometem o que não podem cumprir nas suas propagandas eleitorais, em "cacho". A violência na televisão é explorada com tamanha sordidez "em cacho". Sendo assim, esta palavra deveria tomar um lugar de honra no nosso dicionário da lingua portuguesa, posto que aparentemente simples, esta palavra esta em voga e, infelizmente, direcionada a coisas fatídicas. Acho que temos que repensar a sociedade em que vivemos, é necessário que combatamos a causa real da violência e não fiquemos efetuando apologia da não violência, através da matança indiscriminada do que chamamos grosso modo de bandidos. Vamos deixar de exigir dos poderes públicos o aumento de policiamento, mais penitenciárias, pena de morte etc... quando na verdade o problema esta em nós, simples cidadãos. Este sim é o causador de toda a situação atual em que se encontra o nosso país. Lembrem-se, você assinaria uma procuração em branco para uma pessoa que você não conhece lhe dando amplos poderes para gerenciar seu patrimônio, sua vida ? claro que não. Pois assim é no dia da eleição, você votando mal, esta dando uma procuração com amplos poderes para seu candidato, gerenciar sua vida, elaborar leis que venham a lhe prejudicar, efetuar obras que não tem nenhum interesse para você, e assim por diante. Sendo assim, não vamos votar em "cacho", mas sim, votar em quem realmente é comprometido com as causas sociais. Pensem bem, os corruptos de hoje foram os simples cidadãos de ontem. Não existe políticos corruptos. Existem homens corruptos que se tornaram políticos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O que é ser feliz?

No mundo moderno a frase de efeito reinante é: busque a felicidade, seja feliz, e por ai vai. Pergunto, o que é felicidade? Diria que um mito, ou melhor, diria que é uma criação cultural humana. A felicidade enquanto busca, é um devir, a espera de num dado momento de sua vida, você alcançar o êxtase, um estado contínuo de prazer e excitação perpétuo, parodiando, um orgasmo infinito. Nesse frenesi da busca da felicidade enquanto tal, vai se buscando pelo caminho momentos parcialmente felizes, o prazer de um beijo, de um abraço, de uma dança, de aquisição de algum bem material, do poder político, enfim, uma soma de micro felicidade. Só que esta soma, não torna o homem plenamente feliz. Deduz-se pois, que a felicidade é uma fantasia, uma motivação para enfrentar-mos o dia a dia da vida com seus percalços, suas rotinas e suas glórias. Numa tentativa última de alcançar a felicidade o homem criou a religião, a vida após a morte, um nirvana, um paraíso para uns e um inferno para outros. Mas, é próprio do humano, a mania de refrear seus instintos, de se autoflagelar, enfim, de impedir a si mesmo de alcançar a felicidade a que ele tanto almeja, e criou o tal do pecado. O pecado foi criado de tal forma, que alcança a todas as classes sociais, idades e sexo, pois, até para os recém nascidos o pecado já existe o original, oriundo da própria relação sexual do pai com a mãe. Vejam vocês o requinte do humano nas autoflagelação como interdito probitório de sua felicidade. Procura eternamente a felicidade e cria para si mesmo o impeditivo para tal. E para não se tornar o carrasco de si mesmo, atribui a renúncia de tudo que é bom e genuinamente humano uma forma de alcançar a felicidade finalmente, mas, somente após a morte. Portanto queridos humanos, do qual faço parte, deixemos de lado esta fantasia da felicidade absoluta, e essa vida eterna tão esperada e façamos aqui mesmo nesta terra árida e desigual um reduto de felicidade. Não esta felicidade idealizada, mas sim, coloquemos um pouco de harmonia nas nossas relações para com o outro, isto seria um bom começo.